quinta-feira, 14 de maio de 2015

A fuga de Braun

por L.P.Faustini



Hoje vim escrever sobre uma cena que desapontou muita gente, principalmente os fãs de Braun. Talvez porque não tenham ficado explícitos na leitura de Maretenebrae - A Queda de Sieghard os motivos que o fizeram a agir como um covarde - e não como um guerreiro bárbaro destemido. Seria o fato de mudar o texto em uma próxima revisão? Fico a pensar...

E sim, falo da cena dos trolls, ou mais especificamente, do Braun, da lebre e dos trolls.

Como os leitores devem saber, Braun é filho de Bahadur-Mata-Trolls, o único homem do reino capaz de dar cabo de um troll-das-cavernas usando somente as mãos. Como filho, os leitores não poderiam esperar outra coisa senão um embate épico em um encontro ocasional entre Braun e um troll. É justificável.

Porém, não foi o que aconteceu. Braun "põe o rabo entre as pernas" e parte em uma fuga alucinada diante de dois trolls-das-cavernas, sendo quase morto por eles.

Isso aí acima foi o ponto de vista dos leitores. Apresento-lhes agora o esclarecimento dos autores quanto às coisas reveladas na trama e, ao final, vocês mesmos podem tirar suas próprias conclusões.

Braun, como sabem, carrega uma montante, ou seja, uma espada que precisa de duas mãos livres para ser manuseada. E também, como dito no capítulo das cavernas subterrâneas, o animal mais forte com o qual ele lutou foi um urso (que o feriu no rosto, deixando uma cicatriz)

No Pico das Tormentas, o guerreiro kemenita, Chikára e Victor Dídacus se separam de Pacata (a mula de carga) e, portanto, da principal fonte de alimento do grupo. Desta forma, eles não mediriam esforços para conseguir alguma provisão. Num golpe de sorte, então, ao final do dia, aparece a...lebre, que alegre e feliz, saltita para dentro das cavernas dos trolls (em uma alusão ao clássico de Lewis Carroll).

Chikára reclama que está com fome e Braun a apoia. (Victor Dídacus não se alimenta).

A pergunta que fica é:
Como perder a única e última oportunidade do dia em passarem a noite bem alimentados sem ter que procurar por comida? Seja lá o que acontecesse, sair de mãos vazias não seria uma opção.

E assim, esperamos que essa breve explicação tenha iluminado suas percepções da leitura.

Que a Ordem os guie!

2 comentários:

Leandro Fonseca Ferreira disse...

Cara, acho fantástica a iniciativa de escrever um livro. Levando em consideração o mercado brasileiro e o modo como as editoras negociam a publicação de um livro. Sinceramente, saber que vocês publicaram um livro dá orgulho para qualquer brasileiro. porém, gostaria de dizer algo.
Não acho que vocês devem explicar o que aconteceu no livro, via blog.
Se os leitores não gostaram do caminho tomado por um personagem, deixe que outras pessoas teorizem sobre, discutam, e cheguem a um entendimento.
E se isso foi mal entendido pelos leitores... Surpreendam eles no próximo livro. Mostre que Braun não é covarde.
Acho que desprestigia sua obra, você vir até aqui explicar para os leitores algo que está no livro.
Pois daqui 10 anos, uma criança, um adolescente, um adulto irá se dirigir à estante de um amigo ou parente, e ver seu livro.
Pegará ele nas mãos e ficará maravilhado com a história... E ele não virá até aqui para descobrir os motivos de Braun ser ou não ser covarde.
O mundo do livro está no livro. É lá que ele deve ser explicado.
É só uma opinião...
Um grande abraço e parabéns pelo trabalho! E sucesso!

Maretenebrae, um épico por L.P.Faustini e R.M.Pavani disse...

Obrigado, Leandro, pelas palavras de incentivo. É, ao mesmo tempo, um trabalho prazeroso e pesaroso.

Sobre seu comentários sobre o post, compartilhamos de sua opinião de que o mundo do livro está no livro e lá que deve ser explicado. Pensamos muito nesta postagem antes de publicá-la e só a publicamos pois já estava nos incomodando. Levamos em conta suas observações e modificamos o texto de acordo.

Que a Ordem o guie!
L.P.Faustini